TRATAMENTO DA TORÇÃO OVARIANA É SEMPRE POR CIRURGIA

dor intensa em região do baixo ventre e o início súbito

A torção de ovário é uma doença que pode acometer todas as mulheres, mas, normalmente, mulheres com cistos hemorrágicos ou teratoma são as mais propensas a sofrer a torção devido ao aumento do peso do órgão. O ovário hiperestimulado (em estimulação ovariana para tratamento de infertilidade) pode duplicar ou triplicar de tamanho. O peso aumenta e a distensão abdominal (aumento do volume do abdômen) pode facilitar sua torção, estrangulando o sistema vascular. Se o quadro não se resolve espontaneamente, poderá ocorrer necrose (morte celular) e, consequentemente, hemorragia ovariana (sangramento dentro do abdômen).

Os principais sintomas da torção ovariana são a dor intensa em região do baixo ventre e o início súbito. Muitas vezes, confirmada pela ultrassonografia de urgência com ausência de fluxo ao doppler colorido. É uma emergência médica que requer solução imediata e, felizmente, ocorre em menos de 1% dos casos.

Inicialmente, a torção compromete a drenagem linfática e venosa, ocasionando edema e aumento de volume do ovário comprometido, e com o passar do tempo a circulação arterial também é acometida, resultando em trombose, isquemia e, por fim,em infarto hemorrágico.

O quadro pode ocorrer em crianças ou em mulheres adultas, quase sempre associado a uma massa ovariana sólida ou cística com grandes dimensões. Esse risco é maior quando a massa medir entre 8 e 12 cm. Os tumores são responsáveis por aproximadamente 50% a 90% dos casos de torção em pacientes adultas, e dentre esses, destaca-se o teratoma cístico maduro como o mais frequentemente envolvido. Entre as causas não tumorais de torção, destacam-se os cistos foliculares ou de corpo lúteo, como as lesões mais comumente envolvidas, contribuindo com até 17% dos ovários torcidos.

Outro fator de risco que pode elevar sua implicação é o aumento volumétrico dos ovários por hiperestimulação em pacientes que se submetem a tratamento para infertilidade. Da mesma forma, gravidez com tempo de gestação de até 20 semanas (especificamente entre 10 e 12 semanas) também determina uma maior incidência de torção ovariana, provavelmente pelo fato de o útero aumentado empurrar o ovário anteriormente, determinando a torção.

O tratamento da torção ovariana é sempre por cirurgia. Preferencialmente, devido à recuperação mais rápida e por ser menos invasiva, é indicada a vídeo laparoscopia, método cirúrgico pouco invasivo que consiste na inserção, por meio de pequenos orifícios no abdômen, de uma pequena câmera e tubos equipados com instrumentos utilizados para retirar o tecido com problemas.

A cirurgia é realizada após insuflação de um gás, geralmente o CO2, para distensão da cavidade abdominal e então melhor visualização dos órgãos pélvicos. A recuperação pós-cirúrgica é bem mais rápida e menos dolorosa do que as cirurgias convencionais (corte tipo cesárea) e a anestesia realizada é a geral e a paciente fica internada no hospital 1 ou mais dias, dependendo do tipo de cirurgia.

Em alguns casos, consegue se manter o ovário e distorcê-lo, porém, na grande maioria dos casos, a retirada do ovário torcido é o tratamento de escolha. Principalmente, nos casos de torção sem o diagnóstico imediato e que já apresentem extensa área de necrose (tecido morto).

Apesar de perder um dos ovários na cirurgia, a capacidade de engravidar se mantém devido ao outro ovário e a manutenção do útero e a paciente não entra em menopausa.
Fonte – ginecologista Joji Ueno (CRM-48.486), doutor em medicina pela Faculdade de Medicina da USP, responsável pelo setor de Histeroscopia Ambulatorial do Hospital Sírio Libanês e Diretor na Clínica Gera (www.laparoscopiaginecologica.net.br).

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